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Mostrando postagens de julho, 2003

Indo... e, chegando

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Já vou indo. Cada dia, me despeço. Toda noite, me desfaço. Cada dia, me refaço, mas sempre falta um traço. Já estou a caminho. Pela estrada eu percebo que deixei de ter apego. Na estrada eu me desprendo de amarras que andei fazendo. Já ando sozinha. Na trilha que não vi; no caminho que não encontrei; na ponte que nunca cruzei; na meta que nunca almejei. Já vejo a saída. Entre tropeços e acertos, entre tombos e caídas, vejo a saída, distinta, entre os meus passos. Já sei meu destino. Lutar sempre. Ser forte eternamente. Estar lúcida, conseqüentemente. Amar... Completamente. Já sei o que quero...

Blues lunar

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Um som, um tom um toque, um dom. Um arrepio frio um gosto de vazio. Um som, com gosto de paixão. Uma lua, um sorriso um toque impreciso. Batuta que rege os acordes do senão. Um toque, um choque um som, um então. Blues lunar, dedilhado em violão.

Presente do céu

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Um presente especial assim, não se desdenha rapaz. É falta de educação, coisa que não se faz. Presente como esse então, exclusivo e personalizado, caído do céu em pleno verão não deve ser ignorado. Um dia, quando se der conta vai querer recuperar aquilo que deixou de lado. Será tarde, porém, meu amigo o presente desprezado estará para sempre perdido.

Um dia

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Um dia encontrarei uma palavra que resuma tudo que há em mim. Com ela me abrirei inteira florescendo como flor-de-lis. Com ela mostrarei a todos que embora esteja sempre incerta consigo andar em linha reta. Com ela saberei traduzir aquilo que não sei dizer, aquilo que só sei sentir. Um dia acharei esta palavra que me mostre como sou por dentro. Nesse dia encerrarei meus olhos, resolverei todos meus conflitos.

Passo a passo

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O primeiro passo decide todo o caminho. O olhar inquieto pesquisa o horizonte a procura de sinais que indiquem a direção a tomar. O coração alerta capta toda energia ao redor, sintonizando estações de apoio. A mente processa as informações e ordena ao corpo que se movimente. Um pé após o outro, o princípio de qualquer jornada. A primeira dúvida decide o porvir. O olhar já não sabe onde buscar sinais. O coração já não sintoniza. A mente, ocupada com a indecisão, não comanda mais. Os pés seguem trôpegos e o destino se torna incerto.

Sorriso da lua

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Porque a noite já vai longe, vejo a lua que se esconde, parece que esta sorrindo. Se ri de mim a malvada, só porque me vê zangada com a falta que estou sentindo.

Acabamento

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Você transformou nosso caso de amor num caso sem graça. Você exigiu que eu me comportasse como uma qualquer. Você implodiu todo o seu sentimento e deixou que acabasse e matou meu amor sufocado pela desilusão.

Someday, somewhere

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Meu tesouro chamado lembranças fica num cofre de nome memória, trancafiado na sala do coração. By JBG, someday, somewhere.

1'

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Pé ante pé me arrisco na educação das crianças, correndo contra o tempo que não para, não volta e não perdoa erros nem falhas. Um minuto perdido é irrecuperável. Uma palavra impensada, pode causar muita dor.

1”

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Basta um segundo para tudo mudar no mundo. O sol que brilha se esconde, o céu azul se preteja, a chuva cai forte, cinzelando o dia. Basta um segundo para tudo mudar dentro da gente. A tristeza que assombreia se esvai, o sorriso se ilumina, a alegria toma conta, rosando a vida.

agônico - o canto

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zé ramalho deixa-me dizer-te o quanto eu te quero agora juro meu amor nada me fará temer se quando eu te beijo viro um beija-flor todas as palavras ficam tão obsoletas quando vou tentar algo que contenha a fórmula desse desejo louco se queimar nossa viagem nunca vai se acabar todas mensagens estarão sem afastar duas miragens que farão se apagar uma imagem num clarão vem acalmar

Viver e deixar viver ou Na palma da mão

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Havia um homem e havia uma mulher. Havia entre eles um sentimento. Um sentimento que nasceu pequenino e cresceu rapidamente. Brincava entre eles, com eles, e os divertia com sua felicidade. Rolava como bola colorida e girava como pião. Voava alto como pipa e caia manso como um balão. Pulava de um para outro se alimentando de sua alegria, se embebendo na sua emoção. Se adaptando a qualquer situação, na palma da mão. Quando o homem desejou que fosse diferente e ele tentou se transformar. Quando a mulher o desejou mais crescido ele tentou se aumentar. A medida que os dias passavam, começou a se deformar, tentando se adequar ao que dele esperavam (ou imaginavam) até que um dia desistiu e se partiu, para ambos agradar. Cada parte crescendo de um jeito, criou um grande problema pois passaram a se estranhar. Na estranheza deixaram um espaço, um vazio que os incomodava. Rapidamente criaram outros sentimentos para o ocupar. Nem tão bonitos, nem tão coloridos, muito menos tão adaptáveis. ...

O que vai ser, será.

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Se você me atordoa só por me deixar estar atoa, se você me acende só de me olhar, o que vai acontecer quando a gente se embolar? Se você me deixa em brasa quando seu braço me roça. Se você me deixa frouxa, feito trouxa, perna bamba, quando me pega de jeito e me dá um beijo; se você me deixa tonta, rota, zonza, só de me tocar, o que vai acontecer, quando a gente se entregar? O céu vai implodir? O sertão vai virar mar?

Brincadeirazinha

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Quer saber do que eu gosto? Gosto do seu rosto, de sentir seu gosto da maciez da sua boca na minha. Gosto de sentir seu cheiro de afagar seu cabelo de sentir como meu corpo ao seu se aninha. Quer saber o que eu espero? Quero poder te amar em qualquer lugar manter junto ao seu o meu caminho. Quero poder te abraçar te beijar e saber que nunca vou estar sozinha. Quer saber do que me aflige? Sei que não. Nem se preocupe, isso, foi só uma brincadeirazinha.

Capuccino

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O primeiro contato traz o gosto de café. Forte, aromático, rouba a cena. No segundo instante, a língua é quem domina. Busca o sabor da canela, o doce do açúcar, o amargo do chocolate. No terceiro ato juntam-se todos os sabores garganta abaixo. E eu te saboreio, com gosto de capuccino.

Metamorfose

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A noite chegava lentamente, a primeira noite solitária. - Finalmente! Pensou ela. Há muito desejava ficar sozinha, mas isso é quase impossível quando se tem marido e filhos. Dirigiu-se a cozinha e preparou sua primeira refeição com requintes de jantar de gala. Talheres de prata, guardanapo de linho, pratos da mais fina porcelana e uma rosa, solitária também, ao centro da pequena mesa. Nos dias que se seguiram a solidão começou a lhe pesar como um manto escuro e envolvente. Começou por deixar de lado as travessas e se servir diretamente das panelas. A cama já não arrumava mais ao levantar. Limpar a casa? Pra que? Ninguém ia reparar mesmo. Aos poucos foi abandonando todos os traços de civilidade enquanto ouvia as vozes dos filhos em todos os cômodos vazios. - Mamãe? Cadê minha camiseta? - Mãe, me leva pra escola? Quando a família chegou após um longo período de férias, acharam estranho encontrar a porta destrancada. A casa revirada sugeria a entrada de um ladrão. - Mãe? M...

Flor do mato

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Não sou flor que se cheire, nem mesmo que se coma. Sou cardo espinhoso, recheado de aroma. Não sou jasmim perfumado, não sou flor do mangue. Sou o espinho da rosa que derrama seu sangue. Não sou copo-de-leite, não sou amor-perfeito. Sou uma simples margarida com defeito.

Prisão perpétua

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Uma mão que prende, outra que afasta, um olhar que segura. Um amor que implora, um outro que explora, uma alma que procura. Uma vida pressente que o presente se esvai e vai inconsciente em busca da paixão fremente que lhe aflora e implora: Meu amor, não me abandona. Um olhar seguro, uma mente impura, uma alma aflita que faz o que o coração dita. Uma mão que afasta, um olhar que prende, um amor que segura.

Arquivo morto

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Vá a praça do mercado coma pão com mortadela depois tome um chá gelado na padaria amarela. Passe na sorveteria aquela onde nunca o levei escolha o sorvete azul, aquele que recomendei. Passe na floricultura e compre uma rosa branca leve-a presa na lapela até que acabe a lembrança. Suba no morro escondido não deixe o guarda te ver assista o nascer do sol como queríamos fazer. Coma aquele pastel que só se encontra nas feiras. Lembre-se do que falei sobre amor e prateleiras. Pegue então o meu amor coloque-o bem lá no alto. Olhe-o de vez em quando para ver se está sossegado. Só peço mais uma coisa - e quero que me prometa - que ele ficará guardado na prateleira vermelha.